…portantos, como diria o outro (não me perguntem quem é o outro, talvez seja da família da outra senhora) temos, finalmente, um desígnio nacional. Pela histeria colectiva lá para os lados da Assembleia da República e de alguma opinião pública (atendendo ao assunto em causa, talvez opinião púbica fosse o termo mais correcto) decidir acerca do casamento gayzola é o grande desígnio nacional. Pouco importa que o assunto já tivesse sido sufragado eleitoralmente. Constava nos programas dos três partidos de “esquerda” com assento parlamentar, e a diferença entre cada um deles nesta matéria é muito menor do que, por exemplo, na gestão da economia, dos impostos e dos serviços públicos. Atendendo ao número de votos que os três partidos obtiveram, parece-me que se há um assunto em que a Assembleia tem legitimidade para decidir de consciência tranquila é este. Mas não, claro que não? Porque há-de a Assembleia fazer aquilo que lhe compete, num assunto manifestamente secundário, quando pode prolongar disputas ridículas e inúteis? Meus amigos o povo já decidiu… se o povo acha que não é assim para próxima que esteja atento no que vota.
Os do Referendo
Depois há os do referendo… não importa se o país está em crise, se há milhões de pessoas com dificuldades económicas extremas, se neste momento a maior parte do pessoal quer é saber se terá emprego daqui a um mês. Não, nada disto importa, o que importa é o casamento gayzola. Vamos lá gastar mais uns milhões numa campanha (pelos vistos não tivemos já campanhas eleitorais que cheguem), vamos lá pôr os palermas na assembleia da república a discutir se pessoas que gostam de prazeres rectroactivos podem ou não casar, vamos colocar a comunicação social à caça de gambozinos e de não notícias (já estou mesmo a ver a notícia “3 homos, 2 sapatonas e 4 assim assim, mais o Sérgio Sousa Pinto manifestam-se em frente da Assembleia da República, por causa de uma coisa qualquer, que não sabemos bem o que é…”). Provavelmente estar-me-ei a esquecer que todos subscritores desta petição são pessoas de bem, homens e mulheres de família, que nunca entraram em esquemas fraudulentos, nem nas pequenas corruptelas, nem têm amantes, nem têm filhos de pai incógnito, ou são pais de filhos incógnitos. Gente boa, cheia de bons valores morais, ou não vivêssemos nós em Portugal. Se calhar estou-me a esquecer que alguns dos principais subscritores deste referendo nunca tiveram nenhuma responsabilidade na gestão deste país, nem sequer são responsáveis pela situação onde nos encontramos e por isso não têm nenhum interesse em desviar as atenções do buraco negro em que nos encontramos (por buraco entenda-se buraco económico e financeiro, é que há por aqui mais buracos ao barulho, e eu não quero cá confusões). Como disse, se calhar estou-me a esquecer… sou um esquecido…
A Igreja
Depois há a igreja. Aaaahhh a igreja! Quantas e belas histórias edificantes cheias de valor moral se poderiam contar… mas fica para outra altura.
.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário