segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Idiota?!!!

Há imagens que valem por mil palavras e outras que despertam em nós uma vontade indomável de comentá-las, embora não saibamos muito bem o que dizer tamanho é o ridículo da situação. Não é que a ameba da foto ao lado foi assaltar um supermercado e ficou preso no buraco por onde pretendia entrar, tendo sido objecto de uma operação de "desencarceramento" por parte dos bombeiros. Não posso deixar de pensar nos que lhe terá perpassado pelo cérebro, que pelo teor da coisa não há-de ter mais que três neurónios e ainda assim apenas um fica de guarda enquanto os outros dois dormem. À aflição de não conseguir andar para trás nem para a frente, rapidamente se terá juntado o medo da humilhação estrondosa que facilmente se adivinharia chegar com o alvor. Será que ele se riu de si próprio? Será que chorou? será que rezou? Será que aproveitou para dormir uma soneca?
E que pensamentos obscuros terão passado pela cabeça de quem o encontrou em tão indigna posição? Será que desejou ter uma palmatória (daquelas com furos como se utilizava na escola primária antigamente)? Uma varinha de oliveira? Será que teve pensamentos impuros para se aproveitar daquela aparenete disponibilidade? Será que teve pena?
Será que o proprietário do estabelecimento apresentou queixa?
Eu cá não sei se teria pena. Sei lá! Tamanho é o ridiculo que talvez tivesse. Uma coisa é certa, se eu fosse este desgraçado e tivesse de cumprir pena, evitava apanhar sabonetes. Com um azar destes nunca se sabe...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

The cooler

Lá diz o povo “Há gente que nasce com o rabo virado para a lua”. Esta não é uma dessas histórias. Falamos de um pobre homem, que tem azar como nome do meio. Premonitório foi o seu local de nascimento, Vilar de Maçadas. De facto na sua vida tem tido maçadas atrás de maçadas. Quando era pequenino os meninos da JSD não o deixavam brincar e ele foi obrigado a transferir-se para o PS (a custo zero, dizem). Num dos seus empregos, os brutamontes dos colegas obrigavam-no a assinar por eles os projectos que faziam. Para se licenciar, numa busca incessante por entidade com uma idoneidade a toda a prova, foi obrigado a frequentar quatro instituições académicas, finalmente, após de tantos anos de luta contra um sistema iníquo e injusto, encontrou aquela que premiaria com verdadeira isenção e justiça toda a sua dedicação. Mas a família, a família – “ninguém escolhe a família”, diz o povo com razão... O tio (xiii, o tio!) e os primos (ai os primos). É melhor nem falar.
Pobre homem, apesar da família, poder-se-ia pensar, que pelo menos com os amigos… mas não. Nem com os amigos podia contar. Não é que um dos melhores se veio a revelar pessoa de índole pouco séria e até tinha a lata de lhe telefonar para falar de coisas. Os seus negócios também não foram bafejados pela sorte, entre os seus sócios, além do seu “amigo” atrás referido, estava um fulano que, certamente portador de alguma psicopatia, tinha uma estranha afeição por frequentar tribunais na qualidade de acusado.
Quanta mágoa carrega este nosso pobre amigo, imaginem só que até foi vilmente criticado por ser célere. Toda a gente se queixa da lentidão e da burocracia com que se trabalha em Portugal, quando alguém despacha rapidamente o que tem a fazer ai ai ai! Ai ai ai!
Há uma coisa que a vida deste homem nos ensina: “Isto é o que nos acontece quando somos bons e não conseguimos ver que o mundo à nossa volta é como é.”
Dizem que o único momento de sorte que teve , foi quando o empreiteiro lhe fez um descontozito na casita. Eu, sinceramente, não acredito nisto por duas razões: primeira - Não me parece que alguém com tanto azar ao longo da vida vá ter de repente sorte, assim, sem mais nem quê. Não é lógico. Segunda - Toda a gente sabe como os empreiteiros são, nunca dão nada sem exigir algo em contrapartida e, sinceramente, não vejo o que esta pobre alma tivesse para oferecer.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Todos os nomes dos bois


Eis que de um momento para o outro regressam em força. De repente, ali para os lados da futebolândia, brotam cretinos como se de fungos se tratassem. Não sei por onde é que os cretinos andaram estes anos todos, deduzo que lá por terras de França a fazer pela vidinha, ou quem sabe se por Angola, que tem estado mais na moda. O certo é que, ao fim de alguns anos de ausência, estão de volta. Como é que a nação reage? Com algum espanto e indignação. Como se em Portugal nunca tivesse existido essa espécie refinada de idiotas. A mim o que me espanta não é que existam cretinos em Portugal, não somos mais que os outros, o que me espanta é a complacência da nação perante a sua existência e a indignação que manifesta quando alguém se lembra de desligar o elevado grau de hipocrisia social com que somos manietados e aponta um. Há cretinos e, espante-se, também há corruptos (salienta-se que os corruptos terão que ser por natureza cretinos, é uma condição inequívoca para o acto), há os hipócritas, os aldrabrões, alguns idiotas, bastantes xicoespertos e uns quantos ladrões e não estou só a falar de futebol. Num tempo em que as pessoas não mentem, dizem inverdades (Haja paciência! Já agora gostaria de saber como é que chama alguém que diz uma inverdade. É um inverdadeiro ou um mentiroso?), parece-me salutar que haja alguém que chame o nome aos bois. Mas parece que à nação não. A nação preocupa-se mais com quem põe os bois com nome do que com o boi, que de besta (nem que seja uma besta tão grande que o próprio diabo se ache um santo à beira dele) passa a bestial num ápice. "Coitadinho, isso não se diz!". Algo vai mal no reino de Portugal.

A minha ideia é simples, vamos chamar os bois pelos nomes. Somos mal educados? Se calhar. Mas, pelo pelo peso simbólico que as palavras encerram, ao menos sobra-nos o consolo de que alguém dotado de um grau elevado de cretinice, seja publicamente reconhecido como tal, e que, em vez de andar por aí a pavonear-se de nariz empinado como se fosse o ser mais impoluto do universo, tenha que baixar a cabeça na rua com vergonha de ser reconhecido. No caso de muitos corruptos é a única penalização que terão.

Eu cá estou ansioso pelo regresso dos cafagestes, também têm andado desaparecidos, enfiados nalgum buraco da nossa memória, à espera que num momento de lucidez alguma figura pública mais desbocada reabilite essa belíssima e brasileirissima palavra.

sábado, 7 de novembro de 2009

Pela igualdade de direitos!

Estou indignado, revoltado com discriminação a que fui sujeito e, perante tamanha injustiça, não me posso calar e não me calarei. Com uma minoria dos meus concidadãos, fui segregado para um gueto e, tal como eles, estou disposto a incendiar uns quantos carros para ser ouvido. Sou uma vítima de uma sociedade que me amordaça e oprime empurrando-me para a marginalidade, como se de um membro de uma casta inferior se tratasse. Pois não sou, e venho, perante vós, exigir o que é legitimamente meu.
Como é que num país cheio de varas, loureiros, godinhos, oliveiras, delegados de propaganda médica, construtores civis nunca ninguém me abordou para me oferecer qualquer coisita em troca de um favorzito? Que democracia é esta que permite que uma parte, ainda que minoritária, da sociedade seja tratada de forma tão pária? O que faz de mim menos cidadão do que um funcionário dumas finanças, de uma junta, de uma câmara, de um tribunal? O que faz de mim menos cidadão do que o quadro de um banco, do que um administrador de uma empresa pública? O que faz de mim menos cidadão do que o primo do tio de um sobrinho de um irmão de um tipo que trabalha não sei onde? Porque nunca ninguém me ofereceu 10.000€? 5.000€! Vá lá, 1.000€ e não se fala mais nisso. Um fim de semana na Apúlia...
Tenho direito à indignação e exerço-o.

E EU! NÃO SOU NINGUÉM?!
Não pago os meus impostos?!
Não voto?!
Não discuto futebol?!
Não vou a missa? Por acaso não, mas isso não é razão para ser tão vilmente castigado.
Não foi para isto que se fez o 25 de Abril. Aliás, no tempo da outra senhora já alguém me teria subornado com um prato de sopa para que não lhe denunciasse um familiar à PIDE (belos tempos!).
Eu tenho direito a ser corrompido!
Nem sequer um lugarzito numa dessas empresas com “negócios” com o estado. Eu não sou um coelho, sou um homem com necessidades básicas (3 ou 4 carros de alta cilindrada básicos, uma ou duas casas de 10 assoalhadas básicas, 3 ou 4 períodos básicos de férias por ano).
Não é este o país pelo qual teria lutado no ultramar, se na altura já fosse nascido e se tivesse idade para o fazer. Não é este o país pelo qual tatuaria “amor de mãe” no braço.
Não é este o país que um primeiro-ministro, que tira cursos universitários ao Domingo e que assina projectos manhosos numa câmara qualquer, deseja para os seus concidadãos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A vara da idoneidade

Hoje o xôr Vara foi ter com o xôr Constâncio para afirmar perem... pere... peremptoriamente (irra! Palavra difícil!) que é, foi e será sempre, um fulano idóneo. Confesso que tenho alguma curiosidade em saber como é que se passam estas coisas.

(Fade in - plano fechado)
O xôr Vara entra
(o plano abre)
É recebido pelo xôr Constâncio com um aperto de mão ligeiramente tenso, embora flácido (qu'isto é malta que nunca andou nas obras). Sentam-se.
Um silêncio incómodo apodera-se da sala.O xôr Vara enxota uma mosca imaginária do joelho, enquanto observa os quadros que estão na parede pensando
"Como é que consegue uma nomeaçãozita para trabalhar aqui?".
Finalmente inicia-se o diálogo:
xôr Constâncio - Pois é... pois é... (enquanto, com o dedo médio, ajeita os óculos.)
xôr Vara - Pois é!
xôr Constâncio - Este ano parece que não há verão de São Martinho p'ra ninguém.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - E o Benfica, hein? Aquilo é que foi uma pena.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - E o Cardoso... Coitado! Deve ter ficado com o cachaço bem inflamado.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - Já que estamos a falar em inflamado... diga-me cá uma coisa. Aquela história... sabe?! Aquilo do xôr Godinho... Você tem alguma coisa a ver com aquilo? Sabe? 'tou a perguntar isto... é mais por curiosidade...
xôr Vara - É mentira, tudo mentira!
xôr Constâncio - Bem que eu desconfiava... polícias e jornalistas são todos uns malandros. Uma raça danada. Já da outra vez lá com a história da fundação p'ra segurança, ou lá como é que chamava...
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - Então eu não sei o qu'isso é?! O que essa malta anda p'raí a dizer sobre mim. As mentiras e falsidades... como eu o compreendo, meu caro.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - Bem! Não quero ocupar mais do seu tempo. Está aqui esta folhinha com três palavras, uma pequena formalidade, que têm à frente três quadradinhos, por favor assinale aquele que está de acordo com o seu carácter. A primeira palavra é "Honesto", a segunda "Ídóneo"; a terceira "Íntegro". Deixe estar! Não se incomode! Eu assinalo. Estou um pouco indeciso... mas, acho que vou escolher "idóneo". Parece-lhe bem?
xôr Vara - Eu gosto mais de honesto, até porque sei o que quer dizer... mas pronto, pode ser essa!
xôr Constâncio - Pronto! É tudo, estimei em vê-lo. Desculpe lá, mas tenho um bocadinho de pressa, o meu motorista tem que me levar a casa, para depois levar o carro à revisão. Se não se tem cuidado com estas coisas, já sabe como é que é!
xôr Vara - Pois é! Se não se tem cuidado com estas coisas, lá vai o carro p'rá sucata.
xôr Constâncio - Sucata! Ah! Ah! Você um ponto! Ah!Sucata! Daqui a pouco até está a dizer que conhece um sucateiro que é capaz de me dar um bom dinheiro pelo carro! Ah! Ah!
xôr Vara - Ah! Ah! Ah! Essa é boa!

(Fade out)