
Eis que de um momento para o outro regressam em força. De repente, ali para os lados da futebolândia, brotam cretinos como se de fungos se tratassem. Não sei por onde é que os cretinos andaram estes anos todos, deduzo que lá por terras de França a fazer pela vidinha, ou quem sabe se por Angola, que tem estado mais na moda. O certo é que, ao fim de alguns anos de ausência, estão de volta. Como é que a nação reage? Com algum espanto e indignação. Como se em Portugal nunca tivesse existido essa espécie refinada de idiotas. A mim o que me espanta não é que existam cretinos em Portugal, não somos mais que os outros, o que me espanta é a complacência da nação perante a sua existência e a indignação que manifesta quando alguém se lembra de desligar o elevado grau de hipocrisia social com que somos manietados e aponta um. Há cretinos e, espante-se, também há corruptos (salienta-se que os corruptos terão que ser por natureza cretinos, é uma condição inequívoca para o acto), há os hipócritas, os aldrabrões, alguns idiotas, bastantes xicoespertos e uns quantos ladrões e não estou só a falar de futebol. Num tempo em que as pessoas não mentem, dizem inverdades (Haja paciência! Já agora gostaria de saber como é que chama alguém que diz uma inverdade. É um inverdadeiro ou um mentiroso?), parece-me salutar que haja alguém que chame o nome aos bois. Mas parece que à nação não. A nação preocupa-se mais com quem põe os bois com nome do que com o boi, que de besta (nem que seja uma besta tão grande que o próprio diabo se ache um santo à beira dele) passa a bestial num ápice. "Coitadinho, isso não se diz!". Algo vai mal no reino de Portugal.
A minha ideia é simples, vamos chamar os bois pelos nomes. Somos mal educados? Se calhar. Mas, pelo pelo peso simbólico que as palavras encerram, ao menos sobra-nos o consolo de que alguém dotado de um grau elevado de cretinice, seja publicamente reconhecido como tal, e que, em vez de andar por aí a pavonear-se de nariz empinado como se fosse o ser mais impoluto do universo, tenha que baixar a cabeça na rua com vergonha de ser reconhecido. No caso de muitos corruptos é a única penalização que terão.
Eu cá estou ansioso pelo regresso dos cafagestes, também têm andado desaparecidos, enfiados nalgum buraco da nossa memória, à espera que num momento de lucidez alguma figura pública mais desbocada reabilite essa belíssima e brasileirissima palavra.
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