Estou indignado, revoltado com discriminação a que fui sujeito e, perante tamanha injustiç
a, não me posso calar e não me calarei. Com uma minoria dos meus concidadãos, fui segregado para um gueto e, tal como eles, estou disposto a incendiar uns quantos carros para ser ouvido. Sou uma vítima de uma sociedade que me amordaça e oprime empurrando-me para a marginalidade, como se de um membro de uma casta inferior se tratasse. Pois não sou, e venho, perante vós, exigir o que é legitimamente meu.
a, não me posso calar e não me calarei. Com uma minoria dos meus concidadãos, fui segregado para um gueto e, tal como eles, estou disposto a incendiar uns quantos carros para ser ouvido. Sou uma vítima de uma sociedade que me amordaça e oprime empurrando-me para a marginalidade, como se de um membro de uma casta inferior se tratasse. Pois não sou, e venho, perante vós, exigir o que é legitimamente meu. Como é que num país cheio de varas, loureiros, godinhos, oliveiras, delegados de propaganda médica, construtores civis nunca ninguém me abordou para me oferecer qualquer coisita em troca de um favorzito? Que democracia é esta que permite que uma parte, ainda que minoritária, da sociedade seja tratada de forma tão pária? O que faz de mim menos cidadão do que um funcionário dumas finanças, de uma junta, de uma câmara, de um tribunal? O que faz de mim menos cidadão do que o quadro de um banco, do que um administrador de uma empresa pública? O que faz de mim menos cidadão do que o primo do tio de um sobrinho de um irmão de um tipo que trabalha não sei onde? Porque nunca ninguém me ofereceu 10.000€? 5.000€! Vá lá, 1.000€ e não se fala mais nisso. Um fim de semana na Apúlia...
Tenho direito à indignação e exerço-o.
E EU! NÃO SOU NINGUÉM?!
Não pago os meus impostos?!
Não voto?!
Não discuto futebol?!
Não vou a missa? Por acaso não, mas isso não é razão para ser tão vilmente castigado.
Não foi para isto que se fez o 25 de Abril. Aliás, no tempo da outra senhora já alguém me teria subornado com um prato de sopa para que não lhe denunciasse um familiar à PIDE (belos tempos!).
Eu tenho direito a ser corrompido!
Nem sequer um lugarzito numa dessas empresas com “negócios” com o estado. Eu não sou um coelho, sou um homem com necessidades básicas (3 ou 4 carros de alta cilindrada básicos, uma ou duas casas de 10 assoalhadas básicas, 3 ou 4 períodos básicos de férias por ano).
Não é este o país pelo qual teria lutado no ultramar, se na altura já fosse nascido e se tivesse idade para o fazer. Não é este o país pelo qual tatuaria “amor de mãe” no braço.
Não é este o país que um primeiro-ministro, que tira cursos universitários ao Domingo e que assina projectos manhosos numa câmara qualquer, deseja para os seus concidadãos.
Eu tenho direito a ser corrompido!
Nem sequer um lugarzito numa dessas empresas com “negócios” com o estado. Eu não sou um coelho, sou um homem com necessidades básicas (3 ou 4 carros de alta cilindrada básicos, uma ou duas casas de 10 assoalhadas básicas, 3 ou 4 períodos básicos de férias por ano).
Não é este o país pelo qual teria lutado no ultramar, se na altura já fosse nascido e se tivesse idade para o fazer. Não é este o país pelo qual tatuaria “amor de mãe” no braço.
Não é este o país que um primeiro-ministro, que tira cursos universitários ao Domingo e que assina projectos manhosos numa câmara qualquer, deseja para os seus concidadãos.
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