Hoje o xôr Vara foi ter com o xôr Constâncio para afirmar perem... pere... peremptoriamente (irra! Palavra difícil!) que é, foi e será sempre, um fulano idóneo. Confesso que tenho alguma curiosidade em saber como é que se passam estas coisas.
(Fade in - plano fechado)
O xôr Vara entra
(o plano abre)
É recebido pelo xôr Constâncio com um aperto de mão ligeiramente tenso, embora flácido (qu'isto é malta que nunca andou nas obras). Sentam-se.
Um silêncio incómodo apodera-se da sala.O xôr Vara enxota uma mosca imaginária do joelho, enquanto observa os quadros que estão na parede pensando "Como é que consegue uma nomeaçãozita para trabalhar aqui?".
Finalmente inicia-se o diálogo:
xôr Constâncio - Pois é... pois é... (enquanto, com o dedo médio, ajeita os óculos.)
xôr Vara - Pois é!
xôr Constâncio - Este ano parece que não há verão de São Martinho p'ra ninguém.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - E o Benfica, hein? Aquilo é que foi uma pena.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - E o Cardoso... Coitado! Deve ter ficado com o cachaço bem inflamado.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - Já que estamos a falar em inflamado... diga-me cá uma coisa. Aquela história... sabe?! Aquilo do xôr Godinho... Você tem alguma coisa a ver com aquilo? Sabe? 'tou a perguntar isto... é mais por curiosidade...
xôr Vara - É mentira, tudo mentira!
xôr Constâncio - Bem que eu desconfiava... polícias e jornalistas são todos uns malandros. Uma raça danada. Já da outra vez lá com a história da fundação p'ra segurança, ou lá como é que chamava...
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - Então eu não sei o qu'isso é?! O que essa malta anda p'raí a dizer sobre mim. As mentiras e falsidades... como eu o compreendo, meu caro.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - Bem! Não quero ocupar mais do seu tempo. Está aqui esta folhinha com três palavras, uma pequena formalidade, que têm à frente três quadradinhos, por favor assinale aquele que está de acordo com o seu carácter. A primeira palavra é "Honesto", a segunda "Ídóneo"; a terceira "Íntegro". Deixe estar! Não se incomode! Eu assinalo. Estou um pouco indeciso... mas, acho que vou escolher "idóneo". Parece-lhe bem?
xôr Vara - Eu gosto mais de honesto, até porque sei o que quer dizer... mas pronto, pode ser essa!
xôr Constâncio - Pronto! É tudo, estimei em vê-lo. Desculpe lá, mas tenho um bocadinho de pressa, o meu motorista tem que me levar a casa, para depois levar o carro à revisão. Se não se tem cuidado com estas coisas, já sabe como é que é!
xôr Vara - Pois é! Se não se tem cuidado com estas coisas, lá vai o carro p'rá sucata.
xôr Constâncio - Sucata! Ah! Ah! Você um ponto! Ah!Sucata! Daqui a pouco até está a dizer que conhece um sucateiro que é capaz de me dar um bom dinheiro pelo carro! Ah! Ah!
xôr Vara - Ah! Ah! Ah! Essa é boa!
(Fade out)
(Fade in - plano fechado)
O xôr Vara entra
(o plano abre)
É recebido pelo xôr Constâncio com um aperto de mão ligeiramente tenso, embora flácido (qu'isto é malta que nunca andou nas obras). Sentam-se.
Um silêncio incómodo apodera-se da sala.O xôr Vara enxota uma mosca imaginária do joelho, enquanto observa os quadros que estão na parede pensando "Como é que consegue uma nomeaçãozita para trabalhar aqui?".
Finalmente inicia-se o diálogo:
xôr Constâncio - Pois é... pois é... (enquanto, com o dedo médio, ajeita os óculos.)
xôr Vara - Pois é!
xôr Constâncio - Este ano parece que não há verão de São Martinho p'ra ninguém.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - E o Benfica, hein? Aquilo é que foi uma pena.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - E o Cardoso... Coitado! Deve ter ficado com o cachaço bem inflamado.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - Já que estamos a falar em inflamado... diga-me cá uma coisa. Aquela história... sabe?! Aquilo do xôr Godinho... Você tem alguma coisa a ver com aquilo? Sabe? 'tou a perguntar isto... é mais por curiosidade...
xôr Vara - É mentira, tudo mentira!
xôr Constâncio - Bem que eu desconfiava... polícias e jornalistas são todos uns malandros. Uma raça danada. Já da outra vez lá com a história da fundação p'ra segurança, ou lá como é que chamava...
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - Então eu não sei o qu'isso é?! O que essa malta anda p'raí a dizer sobre mim. As mentiras e falsidades... como eu o compreendo, meu caro.
xôr Vara - É verdade!
xôr Constâncio - Bem! Não quero ocupar mais do seu tempo. Está aqui esta folhinha com três palavras, uma pequena formalidade, que têm à frente três quadradinhos, por favor assinale aquele que está de acordo com o seu carácter. A primeira palavra é "Honesto", a segunda "Ídóneo"; a terceira "Íntegro". Deixe estar! Não se incomode! Eu assinalo. Estou um pouco indeciso... mas, acho que vou escolher "idóneo". Parece-lhe bem?
xôr Vara - Eu gosto mais de honesto, até porque sei o que quer dizer... mas pronto, pode ser essa!
xôr Constâncio - Pronto! É tudo, estimei em vê-lo. Desculpe lá, mas tenho um bocadinho de pressa, o meu motorista tem que me levar a casa, para depois levar o carro à revisão. Se não se tem cuidado com estas coisas, já sabe como é que é!
xôr Vara - Pois é! Se não se tem cuidado com estas coisas, lá vai o carro p'rá sucata.
xôr Constâncio - Sucata! Ah! Ah! Você um ponto! Ah!Sucata! Daqui a pouco até está a dizer que conhece um sucateiro que é capaz de me dar um bom dinheiro pelo carro! Ah! Ah!
xôr Vara - Ah! Ah! Ah! Essa é boa!
(Fade out)
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