quinta-feira, 12 de novembro de 2009

The cooler

Lá diz o povo “Há gente que nasce com o rabo virado para a lua”. Esta não é uma dessas histórias. Falamos de um pobre homem, que tem azar como nome do meio. Premonitório foi o seu local de nascimento, Vilar de Maçadas. De facto na sua vida tem tido maçadas atrás de maçadas. Quando era pequenino os meninos da JSD não o deixavam brincar e ele foi obrigado a transferir-se para o PS (a custo zero, dizem). Num dos seus empregos, os brutamontes dos colegas obrigavam-no a assinar por eles os projectos que faziam. Para se licenciar, numa busca incessante por entidade com uma idoneidade a toda a prova, foi obrigado a frequentar quatro instituições académicas, finalmente, após de tantos anos de luta contra um sistema iníquo e injusto, encontrou aquela que premiaria com verdadeira isenção e justiça toda a sua dedicação. Mas a família, a família – “ninguém escolhe a família”, diz o povo com razão... O tio (xiii, o tio!) e os primos (ai os primos). É melhor nem falar.
Pobre homem, apesar da família, poder-se-ia pensar, que pelo menos com os amigos… mas não. Nem com os amigos podia contar. Não é que um dos melhores se veio a revelar pessoa de índole pouco séria e até tinha a lata de lhe telefonar para falar de coisas. Os seus negócios também não foram bafejados pela sorte, entre os seus sócios, além do seu “amigo” atrás referido, estava um fulano que, certamente portador de alguma psicopatia, tinha uma estranha afeição por frequentar tribunais na qualidade de acusado.
Quanta mágoa carrega este nosso pobre amigo, imaginem só que até foi vilmente criticado por ser célere. Toda a gente se queixa da lentidão e da burocracia com que se trabalha em Portugal, quando alguém despacha rapidamente o que tem a fazer ai ai ai! Ai ai ai!
Há uma coisa que a vida deste homem nos ensina: “Isto é o que nos acontece quando somos bons e não conseguimos ver que o mundo à nossa volta é como é.”
Dizem que o único momento de sorte que teve , foi quando o empreiteiro lhe fez um descontozito na casita. Eu, sinceramente, não acredito nisto por duas razões: primeira - Não me parece que alguém com tanto azar ao longo da vida vá ter de repente sorte, assim, sem mais nem quê. Não é lógico. Segunda - Toda a gente sabe como os empreiteiros são, nunca dão nada sem exigir algo em contrapartida e, sinceramente, não vejo o que esta pobre alma tivesse para oferecer.

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